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APESAR DA BAIXA DEMANDA, UNIVERSIDADES DO PARANÁ MANTERÃO COTAS RACIAIS

Na UEPG, 19 dos 43 cursos não tiveram negros inscritos no vestibular.Movimentos negros pretendem incentivar alunos a usar as vagas.Do G1, em São Paulo, com informações do Portal RPC* A baixa procura pelas cotas raciais nas três universidades públicas do Paraná (Universidade Federal do Paraná e as universidades estaduais de Lon­drina e Ponta Grossa) que adotam o sistema no estado não forçará mudanças significativas em curto prazo nas instituições.
Mesmo assim, as instituições descartam alterações significativas enquanto durarem os programas de cotas. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Pró-Reitoria de Graduação reconhece que a procura é menor que a esperada. Já na Universidade Federal do Paraná (UFPR), apenas 15% dos universitários são negros, enquanto o sistema de cotas, em vigor desde 2004, permite o aproveitamento de até 20% de matrículas por afrodescendentes.Para a antropóloga Liliana Porto, integrante da Comissão de Avaliação e Acompanhamento das Cotas da UFPR, muitos vestibulandos afrodescendentes não aproveitam o sistema de cotas raciais porque se inscrevem no regime de cotas sociais ou nas vagas universais. Enquanto as universidades não têm planos de reforçar a divulgação das cotas, integrantes dos mo­­vimentos negros pretendem visitar salas de aula do ensino médio para incentivar os alunos negros a usar a reserva de vagas.O presidente da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (Acnap), Jaime Tadeu da Silva, afirma que estão sendo planejadas visitas no segundo semestre aos colégios de Curitiba pelos integrantes da Acnap ao longo deste semestre.AvançosPara o coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFPR, Paulo Vinicius Baptista da Silva, o sistema de cotas trouxe avanços, mesmo que ainda não tenha atingido a condição ideal. A porcentagem de negros na instituição dobrou (de 7% para 15%) com a reserva de vagas.Ainda assim, o número é menor que a quantidade de negros e pardos entre os universitários brasileiros (calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta­tística), e de alunos do ensino médio negros e pardos no Paraná (calculado pelo Censo Escolar 2007) – em ambos os casos, a proporção é de 18%.
Veja como é o sistema de cotas raciais nas universidades públicas do Paraná: UFPR1 - A instituição oferta até 20% das vagas do vestibular para candidatos negros vindos ou não de escolas públicas. Na primeira etapa, o vestibulando negro disputa a classificação para a segunda etapa com os demais candidatos não cotistas. Se ele tiver um desempenho igual ou melhor que os outros concorrentes, pode disputar a segunda etapa como cotista.2 - As vagas do sistema de cotas raciais não preenchidas por vestibulandos negros são repassadas para candidatos das cotas sociais que não alcançaram desempenho suficiente para passar pela cota social. Só depois da aprovação ele é avaliado pela UFPR para comprovar que é afrodescendente.UEPG1 - O candidato negro tem de vir de escola pública para se inscrever ao vestibular pelo sistema de cotas raciais. Em um dia marcado no Manual do Candidato, ele é convocado para ser analisado por uma comissão que vai definir se ele tem características da raça negra. Se a sua inscrição for aceita, o vestibulando negro disputa o concurso e deve atingir a pontuação mínima (obtida pela média geral do curso disputado) para conseguir a vaga.2 - A porcentagem de vagas disponíveis varia conforme a procura, ou seja, quanto mais inscritos negros, mais vagas são ofertadas.UEL1 - A instituição reserva até 20% das vagas para cotas raciais. Os candidatos negros ou pardos devem ter cursado o ensino fundamental e médio em escolas públicas.2 - Após passar na prova, o candidato negro cotista é avaliado por uma comissão que homologa ou não a sua inscrição a partir de suas características físicas. Se a comissão não aprovar sua inscrição como cotista negro, ele perde a vaga, que é repassada para candidatos da cota social.
Retirado do site G1